Introdução: O uso de antibióticos em crianças constitui um dos pilares fundamentais da prática clínica pediátrica contemporânea, sendo essencial no tratamento de infecções respiratórias, urinárias e cutâneas. No entanto, o metabolismo infantil apresenta particularidades fisiológicas que exigem cautela na prescrição, dosagem e acompanhamento terapêutico. Nas últimas décadas, a literatura científica tem alertado para o aumento da resistência bacteriana e dos casos de automedicação, fatores que comprometem a eficácia do tratamento e representam risco à saúde pública. Compreender o uso racional de antibióticos em lactentes e crianças é, portanto, um passo crucial para garantir terapias seguras, eficazes e sustentáveis, alinhadas aos princípios de vigilância microbiológica e segurança do paciente. Objetivos: O presente estudo teve como objetivo analisar as evidências científicas acerca do uso de antibióticos em crianças, com ênfase nas faixas etárias de 0 a 2 anos (lactentes) e de 2 a 12 anos (infantis). Buscou-se identificar os antimicrobianos mais utilizados, suas principais indicações clínicas, os efeitos adversos mais relatados e as estratégias de manejo clínico e educativo voltadas para o uso racional desses medicamentos. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida com base no modelo de Whittemore e Knafl (2005). A busca foi realizada nas bases SciELO e PubMed, entre os anos de 2014 e 2025, utilizando descritores em português e inglês relacionados a “antibióticos”, “crianças”, “resistência bacteriana” e “automedicação”. Foram incluídos estudos completos em português, inglês e espanhol que abordassem o uso de antibióticos em crianças e excluídos aqueles voltados para populações adultas ou revisões narrativas. Os dados foram analisados de forma descritiva e categorial, permitindo a síntese crítica das evidências encontradas. Resultados e Discussões: Foram selecionados 14 artigos científicos, sendo a maioria proveniente do Brasil e dos Estados Unidos. As infecções respiratórias, como pneumonia bacteriana e otite média aguda, foram as principais indicações terapêuticas, com predominância do uso de amoxicilina e ceftriaxona. Entre os efeitos adversos, destacaram-se os distúrbios gastrointestinais, especialmente a diarreia. A análise dos estudos revelou ainda o uso recorrente de antibióticos sem confirmação laboratorial, evidenciando fragilidades na adesão a protocolos clínicos e reforçando a importância da educação em saúde para familiares e profissionais. Considerações Finais: Conclui-se que o uso racional de antibióticos em pediatria requer práticas clínicas embasadas em evidências, vigilância contínua e capacitação profissional. A adesão aos protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o fortalecimento dos programas de Gerenciamento de Antimicrobianos (PGAs) são medidas fundamentais para reduzir a resistência bacteriana e assegurar a qualidade da assistência pediátrica.