Resumo
As desigualdades sociais no Brasil afetam diretamente a segurança alimentar e nutricional de crianças em situação de vulnerabilidade, interferindo no comportamento alimentar e no desenvolvimento saudável. Crianças expostas à pobreza e à insegurança alimentar enfrentam dificuldades de acesso a alimentos adequados e de qualidade, o que pode levar tanto à desnutrição quanto ao excesso de peso, além de prejudicar o desenvolvimento cognitivo e emocional. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, como a vulnerabilidade social influencia o comportamento alimentar e o estado nutricional infantil, identificando os principais fatores de risco e suas implicações para a saúde pública. A pesquisa foi realizada nas bases SciELO, PubMed, LILACS e Google Acadêmico, contemplando artigos publicados entre 2015 e 2025. Foram incluídos estudos que abordaram a relação entre comportamento alimentar e estado nutricional de crianças em contextos de vulnerabilidade social no Brasil. Os resultados demonstram que a insegurança alimentar é um fenômeno multifatorial, associado a condições socioeconômicas desfavoráveis, baixa escolaridade dos responsáveis e fragilidade das políticas públicas voltadas à infância. Evidenciou-se que a vulnerabilidade social pode afetar tanto a qualidade quanto a quantidade dos alimentos consumidos, refletindo em padrões alimentares inadequados, seletividade alimentar e deficiências nutricionais, especialmente de micronutrientes como ferro e zinco. Ademais, observou-se que a insegurança alimentar não se limita à desnutrição, mas também contribui para o aumento de casos de sobrepeso e obesidade, configurando um duplo ônus nutricional. O ambiente familiar, as práticas parentais e o nível de escolaridade materna foram identificados como determinantes importantes na formação dos hábitos alimentares infantis. Constatou-se ainda que a pandemia de COVID-19 e a crise econômica agravaram as desigualdades, ampliando os desafios das famílias de baixa renda no acesso a uma alimentação saudável. Diante dessas evidências, ressalta-se a necessidade de fortalecer políticas públicas e programas intersetoriais voltados à segurança alimentar e nutricional, bem como ações educativas que promovam hábitos saudáveis desde a infância. Conclui-se que compreender a relação entre vulnerabilidade social, comportamento alimentar e estado nutricional é essencial para subsidiar estratégias de promoção da saúde e de redução das desigualdades que impactam o desenvolvimento infantil no Brasil.
Abstract
Social inequalities in Brazil directly affect food and nutrition security among children in vulnerable situations, influencing eating behavior and healthy development. Children exposed to poverty and food insecurity face difficulties in accessing adequate and quality food, which can lead to both malnutrition and overweight, as well as impair cognitive and emotional development. This study aimed to analyze, through an integrative literature review, how social vulnerability influences children's eating behavior and nutritional status, identifying the main risk factors and their implications for public health. The research was conducted in the SciELO, PubMed, LILACS, and Google Scholar databases, including articles published between 2015 and 2025. Studies addressing the relationship between eating behavior and nutritional status of children in socially vulnerable contexts in Brazil were included. The results demonstrate that food insecurity is a multifactorial phenomenon associated with unfavorable socioeconomic conditions, low parental education, and weak public policies aimed at childhood. It was found that social vulnerability can affect both the quality and quantity of foods consumed, resulting in unbalanced eating patterns, selective eating behavior, and nutritional deficiencies, especially of micronutrients such as iron and zinc. Moreover, food insecurity was shown to contribute not only to malnutrition but also to the growing prevalence of overweight and obesity, representing a double nutritional burden. Family environment, parental feeding practices, and maternal education level were identified as key determinants in the formation of children's eating habits. The COVID-19 pandemic and the economic crisis have further worsened inequalities, intensifying challenges faced by low-income families in accessing healthy food. Given these findings, it is essential to strengthen public policies and intersectoral programs focused on food and nutrition security, as well as educational actions that promote healthy eating habits from early childhood. It is concluded that understanding the relationship between social vulnerability, eating behavior, and nutritional status is essential to support strategies for health promotion and for reducing inequalities that affect child development in Brazil.