O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio do neurodesenvolvimento
que tem se tornado cada vez mais frequente em crianças e adolescentes. O tratamento de primeira
escolha dessa neuro desordem envolve estimulantes, como metilfenidato e lisdexanfetamina, eficazes
na redução dos sintomas. Entretanto, esses fármacos podem causar efeitos adversos severos, e em
alguns casos podem não apresentar boa resposta clínica. Nesse contexto, alternativas não
estimulantes, incluindo fitoterápicos como o Crocus sativus L. têm sido investigadas. O objetivo desse
estudo foi descrever a ação do Crocus sativus L. no tratamento de crianças e adolescentes com TDAH
comparado ao metilfenidato. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada mediante busca
de artigos de revistas científicas, utilizando as bases de dados das bibliotecas eletrônicas:
ScienceDirect MedLine e SciELO, considerando os anos de 2019 à 2025, empregando os descritores
da Biblioteca Virtual em Saúde: Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade” AND “TDAH em
crianças e adolescentes” AND “Psicoestimulantes” AND “Mecanismo de ação” AND “Crocus sativus L.
Inicialmente, de forma não seletiva, foram encontrados 186 artigos e ao final da identificação e análise
criteriosa, considerando os critérios de exclusão, apenas 5 foram incluídos no estudo. Observou-se que
a literatura é escassa e inexistem estudos que descrevam com clareza os mecanismos de ação do C.
sativus L na terapia do TDAH. Contudo, alguns estudos clínicos realizados com crianças com TDAH
afirmaram que o açafrão apresentou melhoras dos sintomas quando comparado ao metilfenidato.
Sugere-se que essa ação esteja associada aos compostos bioativos presentes no açafrão, safranal e
crocina, onde o safranal parece agir no sistema nervoso central como um inibidor da recaptação de
dopamina e norepinefrina, impedindo a diminuição desses e mantendo as suas concentrações nas
fendas sinápticas, semelhantemente ao metilfenidato, e assim reduzindo a hiperatividade e aumento
do foco. Apesar disso, existem ainda muitas lacunas no entendimento sobre os aspectos
farmacocinéticos e farmacodinâmicos do açafrão na terapia do TDAH. Considerando esse fato, ainda
assim, a literatura científica aponta que o açafrão pode ser considerado como uma opção segura para
casos mais leves de TDAH, sendo empregado como um complemento terapêutico, capaz de
potencializar a eficácia da farmacoterapia convencional. Logo, sugere-se estudos futuros que possam
desvendar todo o potencial terapêutico do açafrão, a fim de que este composto possa se consolidar
como um fitoterápico de escolha seguro e eficaz na terapia do TDAH.