A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é reconhecida como um dos ambientes hospitalares de maior risco para contaminação microbiológica. Esse risco é exacerbado pela alta rotatividade de pacientes, o uso intenso de equipamentos e a frequente realização de procedimentos invasivos, condições que favorecem o crescimento e a disseminação de microrganismos patogênicos, especialmente os multirresistentes. As superfícies inanimadas como, grades de leito, maçanetas, bancadas e equipamentos, funcionam como importantes reservatórios, atuando como fontes de infecção cruzada tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. O combate à resistência bacteriana é um problema global de saúde pública, o que torna imperativo o desenvolvimento de estratégias de biossegurança eficazes. O estudo teve como objetivo principal avaliar o nível de contaminação microbiológica das superfícies inanimadas de uma UTI em um hospital terciário em Manaus. Este estudo tem como objetivo avaliar o nível de contaminação microbiológica das superfícies inanimadas de uma unidade de terapia intensiva de um hospital terciário localizado em Manaus, identificando os principais microrganismos isolados e conscientizando as práticas de higienização e o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) pelos profissionais. Além disso, busca propor medidas que contribuam para a redução da disseminação de microrganismos e para a melhoria das condições de segurança no cuidado ao paciente. Trata-se de um estudo do tipo descritivo - exploratório com análise integrativa, sistematizada e quantitativa. Foi utilizado para este estudo, bases de um banco de dados secundários localizados em uma planilha do Excel na versão Microsoft 365, que possui as informações das culturas realizadas através da coleta por swabs nas superfícies da UTI no ano de 2023 no hospital terciário de Manaus. Foram selecionados para este estudo apenas 8 pontos de coleta dos dados apresentados: Maçaneta do armário, bancada, teclado 1 e 2, torneira, aparelho glicosímetro e bancada da pia do posto de enfermagem da UTI, foi escolhido também a mesa de alimentação e bancada da pia do leito 6, a escolha desses locais baseou-se na frequência de contato manual e na possibilidade de atuarem como reservatórios de microrganismos patogênicos. Nenhum dado de paciente foi utilizado, preservando o sigilo e o respeito às práticas éticas, a discussão dos achados fundamentou-se nos estudos dos seguintes autores como Rodrigues et al., 2024, Costa et al., 2018 e Silva et al., 2014. Através da análise dos dados, observou-se que às superfícies inanimadas escolhidas apresentaram um alto grau de contaminação pelos seguintes microrganismos, na maçaneta do armário: Staphylococcus warnerii / Staphylococcus epidermidis, bancada: Staphylococcus warnerii, teclado 1: Staphylococcus haemolyticus / Staphylococcus saprophyticus, torneira: Staphylococcus saprophyticus, aparelho glicosímetro: Staphylococcus warnerii. Os dados demonstraram o quanto é preciso adotar medidas de higienização nestas superfícies que são comuns de serem manipuladas. O maior percentual de prevalência foi do Staphylococcus warnerii com 37,5% e três ocorrências, em segundo foi o Staphylococcus saprophyticus 25% e duas ocorrências, os mais baixos foram os Staphylococcus epidermidis e Staphylococcus haemolyticus cada um com percentual de 12,5% e uma ocorrência. Um achado de grande relevância clínica foi a detecção de Klebsiella spp. A bactéria Klebsiella oxytoca foi isolada na bancada da pia do posto de enfermagem, e a Klebsiella pneumoniae foi encontrada no teclado 2, na bancada da pia e na mesa de alimentação do leito 6. O ponto mais crítico foi a identificação de mecanismos de multirresistência: a KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) na Klebsiella isolada da mesa de alimentação do leito 6, e a NDM (New Delhi Metalo-beta-lactamase) na cepa isolada da bancada do posto de enfermagem. Essas enzimas conferem alta resistência aos antibióticos beta-lactâmicos e frequentemente estão associadas à formação de biofilmes, que protegem o microrganismo. A presença dessas cepas multirresistentes em superfícies de contato contínuo representa um risco altíssimo de disseminação no ambiente hospitalar. A análise dos dados obtidos nesta pesquisa evidenciou que as superfícies inanimadas da UTI avaliada apresentaram um nível significativo de contaminação microbiológica. Foram identificados microrganismos do gênero Staphylococcus, destacando-se Staphylococcus warnerii e Staphylococcus saprophyticus, os quais, embora classificados como oportunistas, podem representar risco relevante em ambientes hospitalares. Além disso, foi detectada a presença de cepas de Klebsiella spp., achado de grande importância devido ao seu reconhecido potencial patogênico e elevada relevância clínica. Logo, a presença de Klebsiella encontrada nas amostras é particularmente preocupante, principalmente por demonstrarem positividade para as enzimas KPC e NDM nos testes complementares, o que demonstra uma grande preocupação por se tratar de um agente frequentemente associado a infecções nosocomiais graves e, muitas vezes, multirresistentes a antibióticos. Essa constatação reforça o alerta quanto ao potencial de disseminação desses microrganismos em ambientes críticos, como as UTIs, onde os pacientes geralmente apresentam sistema imunológico comprometido. Os resultados obtidos ressaltam a importância da manutenção de protocolos rigorosos de higienização, desinfecção e monitoramento microbiológico nas unidades de terapia intensiva. Superfícies de uso frequente, como teclados, maçanetas e bancadas, demonstraram ser pontos críticos de contaminação, exigindo maior atenção das equipes de enfermagem e dos demais profissionais da saúde. Além disso, este estudo reforça a necessidade de conscientização e capacitação contínua dos profissionais quanto às práticas de biossegurança e ao uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Em síntese, a pesquisa contribui para uma melhor compreensão acerca da presença e da disseminação de microrganismos em ambientes hospitalares críticos, enfatizando a relevância da adoção de uma cultura de prevenção e cuidado, gerando uma necesidade de coscientização e capacitação dos profissionais pois um ambiente hospitalar seguro constitui não apenas uma exigência técnica, mas também um compromisso ético com a vida e bem-estar dos pacientes, visando reduzir a disseminação de microrganismos e garantir um local protegido para os paciente.