Introdução: A esporotricose é uma micose subcutânea causada pelo fungo do gênero Sporothrix spp., cuja transmissão pode ocorrer por via sapronótica ou zoonótica. Nas últimas décadas, observou-se um aumento expressivo de casos associados à transmissão felina pelo Sporothrix brasiliensis, especialmente na Região Nordeste do Brasil. Objetivo: descrever uma série de casos acompanhados no Centro de Referência em Hanseníase e Tuberculose Prof. Nilda Buarque, localizado no Cabo de Santo Agostinho – PE, características clínico-epidemiológicas, diagnósticas e terapêuticas. Método: Trata-se de um estudo descritivo e retrospectivo, do tipo série de casos, desenvolvido a partir da análise de 10 pacientes diagnosticados com esporotricose entre 2021 e 2023. Os dados foram obtidos por meio da revisão de prontuários e fichas de notificação, contemplando variáveis sociodemográficas, epidemiológicas, clínico-diagnósticas e terapêuticas. As informações foram organizadas em planilhas eletrônicas e analisadas no software JASP, por estatística descritiva, com apresentação das frequências absolutas e relativas. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 7.169.009). Resultados: A análise dos 10 casos evidenciou predomínio do sexo masculino (60,0%; n=6), adultos jovens com até 30 anos (50,0%; n=5), de baixa escolaridade (66,7%; n=6) e residentes em área urbana (90,0%; n=9). A forma linfocutânea foi observada em todos os pacientes (100,0%; n=10), com maior comprometimento de membros superiores (50,0%; n=5) e associação frequente ao contato com felinos domésticos (60,0%; n=6). O diagnóstico foi majoritariamente clínico-epidemiológico, confirmado por exame micológico direto (83,3%; n=5), e todos receberam tratamento com itraconazol (100,0%; n=10). Todos os pacientes evoluíram com remissão completa das lesões (100,0%; n=9), indicando boa resposta terapêutica. Conclusão: Os achados reforçam o perfil epidemiológico típico da doença e a importância do diagnóstico precoce em regiões endêmicas.